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A cabana

Ao terminar o filme, meus lenços estavam intactos, meus olhos nem marejaram, e minha cabeça ficou pensativa… Não importa se a cabana é uma ficção ou uma história verídica. A cabana passa uma ideologia, uma mensagem e um tema intrigante…

O que muitos tem cogitado não se trata de análise teológica, mas sim da distorção de princípios básicos da Bíblia. Achei a história fraca, confusa e cansativa. Os personagens me conduziram a uma sensação de dissimulação o tempo todo. E o problema não foi apenas uma questão de “não reforçar os estereótipos”. Deus amassando pão, tomando sol com um lindo óculos escuro e o “Espírito Santo” representado como uma mulher asiática chamada Sarayu,  que mais me lembrou uma fadinha recolhedora de lágrimas com um gloss fantástico nos lábios! O personagem Jesus…bem, o Jesus de “A Cabana” me pareceu um bobalhão inexpressivo, apesar do “Papai” do livro dizer que Ele é o centro de tudo. Não dá para encaixar a trindade na caixinha que tem em cima do criado-mudo.

Muitas frases bonitas, com forte apelo sentimental e emotivo, sem muito sentido, em que as pessoas ouvem e dizem: “nossa, que lindo!”.

Na minha opinião, “A Cabana” tem uma melodia feita para emocionar, mas a letra é confusa e desafinada.

Não vou me estender sobre os recursos literários que desabonam Young como escritor, porque o conteúdo do livro já o desqualifica como leitura, então o enredo não poderia ser diferente.

Analiso a obra como uma metáfora de perda não-processada. Da dor não digerida, entalada, da dor onde interiormente culpa-se Deus pelo sofrimento e ainda se ecoa nos ouvidos a frase: Por que tinha que ser assim Deus? Logo comigo? Por que????? EU não to entendendo Deus…

A cabana representa um lugar onde o ser humano tem feridas NÃO-tratadas. Que representa a trava emocional da vida da pessoa. A raiz de amargura. O lugar de dor e sofrimento, onde o ser humano deixou a dor ser o centro para a ferida assumir o épice da dor.

Eu acredito que algumas pessoas que não digeriram perdas da forma correta, pessoas que ainda possuem mágoas, culpa, falta de perdão e sentimentos que ainda não foram curados pelo Senhor, vão se envolver e chorar muito nesse filme. Mais do que se colocar no lugar do personagem, alguns sentimentos parecidos com os de Mack podem ser trazidos à tona, trazendo à memória sensações de profunda tristeza e depressão. O filme mostra uma excessiva centralização do mundo na pessoa que sofre, como se a função maior de Deus fosse prover o consolo e a solução dos problemas causados pelo sofrimento.

O Pr. Jader Borges, descreve muito bem  A CABANA ao afirmar: “Não comento aqui para criticar quem quer que seja. Esta Cabana nada mais é do que uma tapera caindo aos pedaços – mais apelando às emoções do que à fé que pensa, como resultado de meditações colhidas na mina de ouro das Escrituras, tão queridas, necessárias, sempre atuais e tão profundas, que requerem apego e meditação todo dia. De “A Cabana” podemos ter um ‘Deus’… domesticado, sensível e bem mais movido por paixões, no final, tão humanas. Ou seja: ele ali naquela cabana – é ‘o Deus’ que eu mesmo projeto que Ele seja, ou como eu gostaria que ele fosse ou deveria ser (Ah, desse ‘Deus’  eu gostei. É bem assim que eu o quero…). É o ‘Deus’ que eu mesmo crio: à minha imagem e semelhança. É um Deus, digamos, “bonzinho”. Sua divindade de ‘cozinheira bondosa e acolhedora’ nos agrada, isso porque nós finalmente o agarramos! E o encaixamos! E o moldamos. O Poderoso, majestoso, insondável, incompreensível e totalmente Santo e Poderoso Deus revelado nas Escrituras Sagradas  é também – e por que não? – o Perigoso Deus, capaz de arrancar de um seu profeta um grito de pavor que brada: “ai de mim, estou perdido! Vi a Deus e vou ser fulminado agorinha mesmo porque Ele é absolutamente Santo e eu sou menos que um verme e grande pecador!” (veja, Isaías 6.1-8). Sim, com Deus não brinque e nem tente, digamos, domesticá-lo. O Deus dos Céus dos Céus não é o mesmo ‘Deus’ de A Cabana. A Trindade não é a mesma do filme. E nem os crentes hoje, são mais os mesmos… Se você vibrou, sorriu e chorou com o livro ou com o filme com todo respeito, mas de coração eu lhe diria: está mais do que na hora de você rever muitas coisas na sua vida de peregrino e de fé. Garanto que se você fizer isso, com certeza o ‘Deus’ de A Cabana ruirá bem diante dos seus olhos e você verá mesmo o filme e a proposta sutilmente desviadora (e sempre contaminadora) que contém. Sim, verá com outros olhos: os santos olhos da fé e da confiança em Deus, o Verdadeiro. É isso mesmo: ou nos voltamos para o Deus dos Céus que se revelou nas Escrituras ou nos contentaremos com o deus falso, pobre e que deixa a alma iludida com docinhos e quitutes envenenados, de a Cabana. E o Deus das Escrituras é: Verdadeiro – Santo – Auto-Suficiente – Eterno – Perfeito – espírito puríssimo – Sem corpo e sem paixões – Infinito – Imutável – Incompreensível –  Onisciente – Mui Sábio – Onipotente – Transcendente – Onipresente – Fiel – Bom – Justo – Misericordioso – Gracioso – Amor – Redentor de pecadores – Soberano Senhor de vidas que ele salva – Vingador terrível em seus justíssimo juízos – Aquele que odeia o pecado  e de modo algum terá por inocente o culpado.

 A igreja é mais uma vítima da obra de Young. Sob a égide da religião ela é acusada de manipular os fiéis por causa da cobiça e desejo de poder dos seus líderes. Como instituição ela é fonte de contrariedades para Jesus, que afirma:

Por que A Cabana está fazendo sucesso? Essa foi a pergunta que Carlos Osvaldo Pinto respondeu em sua resenha: A Cabana: abrigo para alma ou barraco teológico?

“Talvez porque a maioria dos cristãos atuais queira comida pré-processada e pasteurizada, e não queira se dar ao trabalho de (ou talvez simplesmente não saibam como) colher nas Escrituras e preparar, pelo estudo pessoal e a comparação com o pensamento cristão histórico, sua própria alimentação. Ou, para mudar a metáfora para algo mais semelhante ao livro, queiram apenas colocar um band-aid na ferida, ao invés de lidar com a infecção. Por outro lado, talvez porque descreva emoções e sensações espirituais de maneira poética e ocasionalmente bela, às vezes desenvolvendo metáforas bíblicas, às vezes usando de maneira criativa a imaginação. William Paul Young quer divulgar essa “nova” visão de Deus (que envolve uma nova visão de vários outros conceitos cristãos) e seus leitores aceitaram, ingenuamente, essa proposta, que mistura verdade e erro de modo particularmente perigoso. Cautela, Bíblia aberta, e várias leituras são essenciais para entender esse livro e para utilizá-lo mais do que como entretenimento pessoal. É preciso que os que se importam com a verdadeira saúde espiritual da Igreja corram o risco de contestar (na maior parte) e concordar (em alguns momentos) com William Paul Young e sua cabana. Ela está sendo vendida como um abrigo para a alma, mas está mais para “barraco” teológico”.  (Carlos Osvaldo Pinto, chanceler do seminário bíblico Palavra da vida, Doutor em filosofia, mestre em Teologia)

Eu sou um copo de 300 ml agua e Deus é o oceano inteiro…

Ana Karina D’ Ambrosio PaganiniParte inferior do formulári