DiversosComo eu era antes de você

“Como eu era antes de você” – Um filme água com açúcar hedonista

O filme “Como eu era antes de você”, baseado no best-seller homônimo de Jojo Moyes,

chegou ao Brasil em junho de 2016.

Rico e bem sucedido, o personagem Will , interpretado por Sam Claflin (diga-se de passagem, foi uma escolha certeira. Apesar de ser um papel bastante limitado pelo lado físico, seu perfil de galã ajuda bastante na transformação vista em cena) leva uma vida repleta de conquistas, viagens e esportes radicais até sofrer um acidente, que o torna tetraplégico. A situação o torna depressivo e amargo. É neste contexto que Louisa Clark (Emilia Clarke) é contratada para ser a cuidadora de Will. Uma moça simples, com dificuldades financeiras e sem grandes aspirações na vida; vive um conformismo que não a incomoda nem um pouco e adora se vestir com roupas antiquadas. A simplicidade e alegria são suas principais características. Aos poucos, ela acaba se envolvendo com Will.

Bem, sempre me desiludi com obras adaptadas. Acredito que jamais um filme consegue superar um livro! Mas, dessa vez não li o livro e resolvi conferir a produção cinematográfica… mesmo sabendo que a classificação da crítica, não tão empolgada como os cinéfilos, classificou a obra como mediana.

Longe de inventar a roda, a escritora reaproveitou temas e situações até batidas, em uma roupagem contemporânea e com personagens certeiros.  As dificuldades enfrentadas por pessoas com restrição de mobilidade física têm sido abordadas no cinema há tempos: Meu pé esquerdo, Intocáveis, A Teoria de TudoHasta la vista, O escafandro e a borboleta, enfim… Como Eu Era Antes de Você entrou nesse roll também.

O filme é uma receita de bolo bem conduzida, investindo forte em boas atuações, e cenários apaixonantes. Retrata fielmente a realidade do mundo ocidental, pois é uma aula da filosofia existencialista e hedonista.

A incansável busca pela felicidade existencial. Todos querendo a felicidade, a divinização do gozo instantâneo e o prazer – objetivo principal da raça humana. Esta exaltação do prazer é conhecida filosoficamente como hedonismo. Aristipo de Cirene dizia que o caminho para se livrar da dor era o prazer, sendo o prazer do corpo aquilo que daria sentido à vida. Hoje este pensamento é perceptível nos modos de se relacionar, perceptível nos modos de consumir e também perceptível nas maneiras de se buscar a Deus. As pessoas estão buscando a religiosidade cristã sedentas de uma nova experiência, querem um Deus que responda imediatamente aos seus conceitos de felicidade instantânea. Um Deus garçom, que os servem como querem, e na hora que querem. A espiritualidade cujo foco é a satisfação primeiramente do EU. Deus é mero coadjuvante na caminhada da vida.

O verdadeiro cristianismo afirma que Deus habita em nós, sendo nossa felicidade imutável, nos levando a transformação constante à imagem de seu filho Jesus, pois fomos criados para a Glória de Cristo e todo nosso vazio existencial é preenchido pelo Espírito Santo. Nossa identidade se torna a identidade do Filho, nosso prazer passa a ser a vontade do Pai.

Por isso, que a história do filme, principalmente seu desfecho é bastante contestável  e totalmente repudiado por mim.

Spoilers do filme a seguir.

(Spoiler é quando algum site ou alguém revela fatos a respeito do conteúdo de determinado livro, filme, série ou jogo. O termo vem do inglês, e está relacionado ao verbo “To Spoil”, que quer dizer estragar. Numa tradução livre, spoilerrefere-se ao termo “estraga-prazeres”).

Na trama, Will decide pelo suicídio assistido mesmo com as tentativas de sua mãe e de Louisa em dissuadi-lo. Jojo Moyes declarou que se inspirou na história real de um jogador de rugby que escolheu se matar com a ajuda da organização Dignitas. Infelizmente o rumo que a autora resolveu dar ao enredo foi muito decepcionante. Como cristã, considero este filme perigoso, pela influência maligna de persuasão filosófica anti-bíblica para os jovens. Propagar essas e tantas outras ideias em que não encontramos respaldo na palavra de deus são avassaladoras para a construção do ser.

Pessoas que lidam com situações parecidas coma de Will poderiam trazer lições proveitosas. Na década de 80 o primeiro livro cristão que li chamava-se Jhonny, uma jovem que fica tetraplégica e modifica sua vida de forma a adora a Deus mesmo na dificuldade, e compartilha lições de sabedoria e plenitude em Cristo, mesmo na dor. Ela Torna-se uma pintora de quadros com a  boca, e uma grande missionária da fé cristã.

“A mensagem do filme é que é melhor para essa pessoa morrer do que precisar de um serviço que a ajude a viver”, declarou ao site o ator Zack Weinstein, que ficou tetraplégico em 2005.

“Romantizar a covardia é realmente perpetuar um estereótipo por uma questão de abandonar as pessoas reais com deficiência que estão lutando para manter sua sanidade e meios de subsistência e não ganham oportunidades em Hollywood”, afirma o ator Grant Albrecht, que sofre de uma doença que está retirando a sua capacidade de andar.

Jojo está sendo muito  criticada por deficientes físicos. Por conta disso, algumas pessoas protestaram no Twitter com a hashtag #MeBeforeEuthanasia.

A vida pertence a Cristo e ninguém tem a permissão de tirá-la.

“O SENHOR é quem tira a vida e a dá; faz descer ao Sheol, à sepultura, e da morte resgata”. I Sm 2;6